terça-feira, 20 de março de 2012
Memória do Jongo - Profª Sílvia Lara
Reportagem sobre o livro da Professora Sílvia Lara, da UNICAMP/SP. Confiram!
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2008/ju398pag12.html
segunda-feira, 19 de março de 2012
Aula de História Medieval, Prof. Alexandre Mérida, 08 Mar 2012
Uma resenha da introdução do livro do Prof. Hilário Franco Júnior, A Idade Média: Nascimento do Ocidente - O (pre)conceito da Idade Média.
FRANCO JÚNIOR, Hilário, Bacharel em História pela USP (1976), Doutor em História pela USP (1982), Pós-Doutorado na École Des Hautes Études/FRA (1983)
A Idade Média: nascimento do Ocidente, São Paulo: Brasiliense, 2001.
Resenhado por: Jorge Luiz da Silva Alves, aluno do terceiro período de História (noite) da Universidade Candido Mendes/RJ
O preconceito quanto à denominação do período entre a Antiguidade Clássica e o Renascimento, popularizado nos tomos como Idade Média, aconteceu a partir do século XVI, numa espécie de desprezo quinhentista pelo que consideraram um hiato figurado de “flagelo”, “ruína” do saber greco-romano. Rabelais falava deste período como “a espessa noite gótica”. Petrarca referira-se como tenebræ, ajudando na difusão das expressões latinas media ætas, media antiquitas, media tempora. Era a Idade Média uma interrupção no progresso humano, segundo aqueles contemporâneos; mas tais preconceitos subsistiriam nos séculos seguintes. No século XVII, os Protestantes vitoriosos contra o Catolicismo culpa-los-iam pela ignorância medieva pela supremacia do Papado; os homens ligados ao Absolutismo centralizado responsabilizavam a fragmentação política e aqueles reis fracos; burgueses lamentavam as limitações comerciais e os intelectuais deploravam aquela cultura tão abraçada aos valores espirituais. Anticlericais e antiaristocráticos, os homens do século XVIII, guiados pela Mãe Razão, reduziam a pó todos os mil anos de História Medieval com apartes extremamente contrários à religiosidade daquele período, responsável, segundo os enciclopedistas, pelo retrocesso da mente humana em direção à iluminação: “A Infame”, era assim que os Iluministas referiam-se à Igreja. Mesmo com uma sutil reação no século XIX, com o advento do Romantismo, a real compreensão sobre o que fora aquele período milenar continuava contraditória; a marcha vitoriosa dos ideais franco-revolucionários pela Europa inicialmente oitocentista cobrara um preço alto demais em conturbações, guerras e revoluções, que terminara por acomodar-se na estabilidade do liberalismo burguês e, desta feita, na valorização dos sentidos, dos sonhos e das recordações em detrimento do cientificismo setecentista. Porém, havia um exagero na exaltação ao medievalismo romântico dos Oitocentos, “...aquilo que amamos, que nos amamentou quando pequenos, que fora nosso pai e mãe, que nos cantava tão docemente no berço” (Jules Michelet, 1798-1874). Pintava-se o céu medieval com uma fulgurante tinta de estrelas, “a coisa mais elevada que a Europa havia produzido” (Thomas Carlyle, 1841). Somente no século XX é que passou-se a compreender, e não julgar, o período: a Idade Média teria que ser vista e revista com seus próprios olhos, numa atitude mais investigativa do que arbitrária. Mesmo que os clichês permaneçam (e devam ser desconsiderado sob a nova ótica), a historiografia moderna é um produto cultural que, como qualquer outro, resulta de um complexo conjunto de condições materiais e psicológicas do ambiente individual e coletivo que a vê nascer. Numa análise mais neutra: foi um período da história européia de cerca de um milênio, ainda que suas balizas cronológicas não estejam bem dimensionadas, ainda passíveis de discussão.
Referências:
M. CARRUTHERS, The book of memory. A study of memory in medieval culture,
Cambridge. CUP, 1990; B. GUENÉE, Histoire et culture historique dans l'Occident Médiéval,
Paris, Aubier, 1980; E. MITRE.
Historiografia y mentalidades históricas en la Europa medieval, Madri, Universidad Complutense, 1982.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Aula de terça-feira, dia 13 Mar 2012
Aqui, um esboço de resenha crítica sobre a aula de História do Brasil Colônia. Como poderão notar, a resenha não foi fechada pois debateremos a aula e a apostila na sexta, dia 16, às 17:30 hs, na UCAM/SC. Espero contribuições para o fecho. Até lá - tudo de bom!
FRAGOSO, João Luís Ribeiro . Graduado em História Social pela UFRJ, Doutor em História pela UFF/RJ.
Afogando em nomes: temas e experiências em história econômica, Topoi, Rio de Janeiro, setembro 2002, pp 41-70.
Hierarquia e exclusão social e o Antigo regime nos trópicos
Fragoso começa o texto revelando, sob a égide de críticas abalizadas da noção do Absolutismo e os apontamentos de J. Greener, que as sociedades coloniais ibéricas e seus impérios ultramarinos não eram os modelos daquilo que se costumava dizer em décadas anteriores, de “pacto colonial”; a mobilidade comercial d'além mar criava ligações com diversas estruturas sociais que estavam além dum simples comércio, permitindo a manutenção dessas estruturas e suas singularidades, muito além do entendimento anterior de supremacia da metrópole e total dependência-submissão das colônias. No caso do Brasil colônia, um universo sutilmente distinto da hierarquia reinol fermentava, onde uma dinâmica sui generis criara forma.
Diferente do Antigo Regime na Europa, o similar tropical favorecia aos cargos de direção às famílias de reconhecido cabedal, ou seja, qualidade; as primeiras famílias, aquelas que possuíam poder de barganha e influência na terra com base na conquista armada e acúmulo de grandes posses, eram brindadas com as mercês da Coroa no governo da “coisa pública” (República). Consequentemente, transformaram-se na nobreza da terra.
As diferenças sociais não eram mantidas na obediência cega dos “privilégios feudo-europeus”, de direito divino, onde a genealogia do sangue não permitia a ocupação terceira dos cargos de governo e administração. Aqui, o grupo de “melhor qualidade” negociava, estrategicamente, o consentimento da hegemonia de seus grupos por parte dos subalternos estamentais. Ou seja, a sociedade “consentia” tal hegemonia. Desta forma, a exclusão social não significava tensão social crônica; o autor aponta (com exemplos documentais da época) situações de disputa por interesses sócio-políticas onde o senhor local ia às contendas contra desafetos com seus aliados, todos de variadas posições no estamento: comerciantes, escravos, indígenas catequizados pardos forros, algo impensado se visualizássemos o panorama com olhos do antigo “pacto colonial”, onde os cativos trabalhavam, apanhavam e produziam, sem direito a reclamar ou de portar armas, ou pardos e forros sem recursos para custear o que fosse para imiscuirem-se nos assuntos políticos da colônia. Em outro registro, temos a petição de pardos forros à administração colonial para compor um regimento de cavalaria, escolhendo, inclusive, um nobre da terra para chefia-los. Delineia-se, aqui, segundo o autor, uma certa autonomia dos pretendentes com base num certo cabedal para a execução da necessidade, o que seria incompreensível aos olhos da antiga compreensão da realidade colonial historiográfica.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Resumo do Capítulo IV, A Vida dos Ofícios, aula do Eduardo Affonso de 12 Mar 2012
Na medida do possível, aqui está um resumo do capítulo IV do livro "Paris no tempo do Rei Sol", de Jacques Wilhelm. Vejam o que pode ser acrescentado ou então suprimido, para melhor compreensão.
Para uso dos companheiros do Terceiro Período de História - UCAM/Santa Cruz, noite.
Abraço e até já!
Para uso dos companheiros do Terceiro Período de História - UCAM/Santa Cruz, noite.
Abraço e até já!
WILHELM, Jacques. A VIDA DOS OFÍCIOS, in Paris no Tempo do Rei Sol, Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1988. Cap.IV, pags 67 a 90.
Nestes primeiros parágrafos, Jacques Wilhelm ressalta a importância da produção artesanal e manufatureira parisiense, o nível de qualidade alcançado pelo controle rígido da produção e de seus profissionais. Criadas por Henrique IV, e fazendo uso de farta mão-de-obra estrangeira, as manutafuras chegaram até o tempo de Colbert com comprovada excelência no setor, usando este ministro todo tipo de artifício, entre espionagens e coações, para a execução desta política de retenção de divisas. Mesmo tendo acerada estrutura corporativa desde a Idade Média, os ofícios sofreram regulamentações estatais que influíram negativamente na qualidade de alguns cargos com a criação de outros, inúteis para efeito profissional, a ponto de Henri Sée¹ escrever que, sob Luís XIV, “a realeza vende o direito ao trabalho”. Da página 70 a 73, o autor identifica a quantidade dos ofícios na Paris do Rei Sol; revela o número do chamado Corpo dos Seis, os seis mais ricos ofícios da cidade, a distinção entre cada afazer, suas limitações e especializações e a quantidade desses profissionais em relação à população da cidade. E também suas manobras para fugir à sanha controladora do Estado. Da página 73 a 75, Wilhelm explica os caminhos para que um aprendiz ou companheiro consiga ascender à condição de mestre, a duração do aprendizado segundo as diversas categorias, a severidade extrema daqueles ensinamentos e a falta de escrúpulo de alguns mestres com rapazes imberbes, as providências antes, durante e depois do trabalho propriamente dito e as fatalidades que hora ocorressem-lhe. Até à página 79, explica o autor a jornada de trabalho segundo os estatutos do Ofício, a remuneração e a preferência pelo pagamento mensal contra a empreitada; a pressão do ministro Colbert sobre a redução do número de festas do calendário para que se pudesse obter maior rendimento com dias trabalhados, a relação do pagamento dos companheiros em relação ao custo de vida da época, toda sorte de dificuldades de companheiros e aprendizes quando adoeciam ou perdessem o emprego sem quaisquer garantias de benefício empregatício, as tentativas pioneiras de greves por melhorias salariais e/ou seu acesso à mestria, que já se tornava, em alguns casos, condição hereditária para muitos setores, como na citação ao Grande Matadouro de Paris, uma quase-casta controlada por quatro famílias naquele século XVII. Entre o final da página 79 e as páginas 80 e 84, o autor revela os artifícios engendrados pelos mestres a fim de manter o poder de um pequeno grupo na direção dos Ofícios, como qualquer dinastia; alguns deles, absurdos, segundo Jacques Savary² . Muitas famílias de “oficiais” reais tinham sua origem no sucesso artesanal ou mercantil, enobrecidos com a compra de cargos. Mercadores de primeira categoria eram imensamente ricos; residiam em locais que primavam pelo afluxo dos clientes e não pela suntuosidade. Boticários, açougueiros, botequineiros e mestres de armas eram extremamente poderosos e organizados, estes últimos passíveis de enobrecimento após vinte anos de ofício, e por serem muito poucos em atividade. Quanto às mulheres, não havia nenhuma proibição para o trabalho, desde que fossem habilidosas no que se propunham; algumas singularidades, como a mestra possuir apenas uma aprendiz ou sanções contra a mestra que “faltasse contra a própria honra” eram destaque nos estatutos da categoria. Wilhelm finaliza as três últimas páginas ressaltando a participação das corporações às confrarias religiosas, praticamente obrigado pela autoridade real, que aprovava-lhe ou não os estatutos; fiscalizava, amiúde, o destino dos fundos arrecadados pelos confrades, para que não fossem absorvidos para outras atividades não tão nobres ou santas assim.
Palavras-chave: corporações, artesãos, confrarias, ofícios.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Recesso de Verão, História em ação!
Pode-se dizer que há uma "Primavera no Mundo árabe"?
Para onde apontarão os destinos do Oriente Médio nesse vendaval de mudanças?
Opine - mas, primeiro, leia:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/2011-o-despertar-arabe
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Escravidão entre africanos
Mais do que uma questão de dignidade humana, era um conceito de poder e riqueza entre os autóctones daquelas plagas; assim como a terra foi a base da riqueza feudal euroasiática, na África de antanho a quantidade de cativos designava o poder dum potentado.
Confiram:
Participação africana no tráfico
Comercio-de-homens a tragédia histórica africana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o_de_africanos
http://www.xangosol.com/escravidao.htm
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